Marcas & Nomes

Não sei se os leitores do meu site já tiveram a oportunidade de ver através da minha página de fotografia no Facebook mas, para além da fotografia, também ofereço a possibilidade de tornar reais as fotografias que tiro. Seja através de álbuns digitais, quadros, folhetos, cartões de visita, expositores, e tantos outros produtos (publicitários e não só). Ora, estamos habituados a ver nas redes sociais, quando um fotógrafo publica uma imagem sua, a marca de água ou assinatura do seu autor que é aplicada na imagem, não só como forma de protecção da propriedade intelectual, mas também para identificar o autor da fotografia.

Isto nas redes sociais e internet é muito bonito, mas e quanto passamos à realidade? Devemos manter as marcas de água e assinaturas? A resposta é sim, e não. Mas vamos ver caso a caso através de alguns exemplos:

Caso 1

Os noivos encomendam um álbum digital ao fotógrafo. O livro terá inúmeras fotografias (todas do mesmo fotógrafo ou equipa que fez a reportagem no dia do casamento). Será normal colocar uma assinatura em cada fotografia? Não, pois o cliente final estará a pagar pelo trabalho (quer pelas fotografias, quer pelo álbum). Para além de que ficaria extremamente inestético vermos uma assinatura por cada fotografia. Seria normal, sim, colocar uma pequena marca ou assinatura no verso do álbum, na contra-capa, onde normalmente se encontra também um código de barras do fabricante. E mesmo nesse caso, é de boa índole perguntar ao cliente se deseja remover essas marcas, quer o código de barras do fabricante, quer o nome do fotógrafo, mediante o pagamento de um valor correspondente à falta dessa publicidade.

Álbum digital ZNO com marca de fabrico.

Álbum digital. Não existem marcas de água nem assinaturas no interior do álbum.

Álbuns digitais com códigos de barras e nome do fotógrafo.

Caso 2

A cliente pede a elaboração de um flyer digital (ou banner) para as redes sociais. Esse trabalho requer uma fotografia e trabalho de design (que podem ou não ser feitos pela mesma pessoa). O flyer deverá conter a marca de água na fotografia? Pessoalmente, acho esta situação debatível, mas poderá depender de alguns factores:

O trabalho é pago? E quando o flyer for publicado, haverá menção a quem tirou a foto, ou a quem o elaborou (mesmo não havendo tal indicação na imagem)? Se queremos fazer um trabalho com aspecto mais profissional, o flyer não deverá ter menção, nem a quem fotografou, nem a quem elaborou o layout. Por outro lado, num regime de colaboração, será aceitável haver alguma indicação, seja no rodapé ou em algum local mais discreto, com os nomes de quem contribuiu para esse trabalho. Mas nunca a marca de água da fotografia original propriamente dita.

Flyer elaborado para a Keyla Nunes, maquilhadora profissional. Fotografia: Mónica Lopes. Edição e Design: Márcio Silva.

Flyer elaborado para a Delfina Godinho, bailarina de danças orientais. Fotografia, edição e design: Márcio Silva.

Caso 3

O cliente encomenda um Rollup. Quem faz o design e a produção do mesmo é também a pessoa que tirou a fotografia. Vamos encher o Rollup com vários nomes e marcas de água? Não. Optei por manter apenas uma indicação em letras pequenas com o logo da página bem pequeno. Caso o cliente tivesse solicitado o Rollup sem qualquer marca, também poderia ter sido feito, mediante o ajuste do valor final da encomenda.

Rollup com a indicação do fotógrafo, design e produção.

Caso 4

Cliente maquilhadora encomenda um conjunto de flyers impressos para promoção do seu trabalho. A fotografia, edição e produção foi da minha responsabilidade. Por motivos óbvios, não coloquei marca alguma nos flyers, dado tratar-se de uma encomenda para fins profissionais.

Flyers publicitários sem menção ao fotógrafo, design ou produção.

Caso 5

Acontece também o lado oposto, ou seja, quando a imagem de uma modelo é usada em alguma campanha ou flyer do fotógrafo. Nesses casos, é normal haver a indicação do nome da modelo, caso pretenda, excepto se se tratar de um trabalho remunerado, onde aí a modelo já não poderá exigir que o seu nome seja colocado na imagem final.

Flyer para promoção dos serviços do fotógrafo com indicação do nome da modelo Sara Tavares.

Flyer elaborado para os serviços do fotógrafo específicos para bailarinas. Com indicação do nome da bailarina Cris Aysel.

Regra geral, quando um trabalho é pago como qualquer encomenda, é justo o cliente final ficar com o produto sem qualquer tipo de publicidade ou nomes dos intervenientes. Num regime de colaboração, é suposto haver publicidade para todas as partes intervenientes (desde o fotógrafo, maquilhadora, modelo, estilista, etc.), mas quando passamos a falar em encomendas digitais (flyers para redes sociais) ou reais (rollups, flyers, cartões de visita), não fará qualquer sentido a colocação de marcas de água nesses elementos gráficos, excepto quando existe uma parceria prévia para a indicação dos nomes dos intervenientes (nomes, e não marcas de água).

=> Um trabalho em modo de parceria (gratuito ou com desconto), terá a indicação óbvia dos vários parceiros.
=> Um trabalho pago, cujas fotografias usadas foram cedidas em modo de parceria, terá a indicação de quem fotografou, mas não de quem desenhou e produziu.
=> Um trabalho dependente de fotografias compradas, não deverá ter a indicação de quem fotografou, pois as fotografias foram vendidas para esse trabalho.
=> Um trabalho pago na totalidade, desde o design, fotografia até à produção, não deverá ter nenhuma referência aos intervenientes.

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