Alguma vez os leitores viram fotografias HDR? Deixo-vos um artigo sobre fotografia HDR: o que é e como se faz.

https://www.digitaltrends.com/photography/what-is-hdr-photography

Não confundam com aquelas fotografias com cores berrantes e muitas vezes inestéticas criadas com recurso ao mesmo software que é usado para as verdadeiras fotografias HDR. Como podemos evitar cair nesse erro? Juntei algumas fotografias tiradas por mim, e editei-as de quatro formas possíveis. Não quero dizer a ninguém que as fotografias se devem editar de forma A ou B, mas sim apontar-vos uma direcção mais acertada. Pelo menos, que não cometam aqueles erros crassos de criar imagens de cores e contrastes descontrolados, para depois lhes chamarem HDR. Isso, é uma ofensa ao termo. Vejamos alguns exemplos:

Começo com um exemplo simples. Um edifício com extensa vegetação na fachada. As minhas duas sugestões, são uma edição simples que realça os níves de claridade nas sombras e coloca o céu mais azul. Existe também um realce na textura e cor da parede. A segunda opção continua com o realce nas sombras, mas toda a imagem tem uma tonalidade a tender para o sépia recorrendo à temperatura de cor e com alguns ajustes ligeiros adicionais.

Mais uma vez, temos a fotografia original com duas opções de edição. Reforcei alguns valores, aumentei os realces nas sombras para níveis absurdos, e cheguei a estas duas variantes. Ambas têm a mesma paleta de cores das versões mais correctas, mas a intensidade e a falta de contraste retira todo o interesse. Para além de que ficam com um aspecto global muito insólito… Não façam isto em casa.


De novo, temos um edifício com vegetação. A diferença é que o edifício é branco e trata-se de uma casa mais rústica. Daí a minha 2ª proposta de edição, para além da versão mais standard.

Desta vez fiz duas versões irracionais. Em ambas tornei a suavidade o traço principal, mas as cores ficaram demasiado ofuscantes numa delas. Na outra, a suavidade excessiva atrapalha a leitura dos detalhes. Não sejam assim.


Agora temos uma ponte. A fotografia original tem o céu fraquinho, mas a informação de cor está lá armazenada no ficheiro RAW. Por isso fiz um ajuste no contraste, reforcei as cores, desde o azul do céu aos detalhes nas pedras rústicas. A segunda versão tem a temperatura mais quente, e vegetação com verdes mais vivos.

Como versões alternativas, criei uma com contraste, mas pouca definição nos detalhes e demasiada saturação. A outra variante, tem pouco contraste e as mesmas cores. Não publiquem nada assim…


Agora vemos uma flor em fotografia macro. Sugeri duas pós-produções: uma mais standard onde realcei as cores e o detalhe da planta, e uma outra alternativa com tons mais quentes e harmoniosos. Qualquer outra edição semelhante seria benvinda.

Novamente, fiz dois ajustes alternativos onde destaquei as cores, mas nenhum dos casos é favorável. Uma delas, tem falta de contraste; a outra, saturação a mais. Não façam pós-produções assim. Ficam muito feias.


Neste exemplo trago uma estrada numa serra. Existe uma cor predominante com imensos detalhes, pelo que os ajustes terão de ser minuciosos. Na primeira experiência, ajustei um pouco o contraste, enquanto que, na 2ª versão, reforcei as cores e contraste para um nível ainda aceitável, mas não demasiado exagerado.

Quais os erros nestas duas pós-produções? A primeira tem bastante contraste e cores aceitáveis, mas algumas áreas excessivamente brancas sem definição. Já a segunda, tem pouco detalhe nas folhas e a mancha verde está demasiado saturada. Isto não é fotografia.


Penso que estes exemplos sejam suficientes. No fundo, as potencialidades de pós-produção fotográfica nos dias de hoje permitem imensa criatividade, mas também permitem transformar uma boa fotografia numa imagem deplorável sem muito trabalho. Façam sempre uma segunda análise e coloquem em causa se aquilo que fizeram, está realmente bom. E quando pedirem a opinião de amigos, peçam a honestidade e não se incomodem com críticas, pois elas podem ser sempre construtivas. Apenas assim conseguimos um bom trabalho.

Divirtam-se, e não hesitem em enviar-me as vossas questões fotográficas!

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